Em 2025, o gás natural consolida seu papel como vetor estratégico na matriz energética brasileira. Impulsionado por avanços regulatórios, investimentos em infraestrutura e diversificação de fornecedores, o setor vive um momento de transformação profunda.
Marco Legal e Abertura de Mercado
A Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021) continua sendo o principal catalisador da abertura do mercado. Desde sua implementação, a participação da Petrobras nos contratos de longo prazo com distribuidoras caiu de 100% para 69% até o fim de 2024. Isso permitiu a entrada de novos agentes e maior flexibilidade nas negociações, especialmente no mercado livre, que cresceu cerca de 70% ao ano.
Produção e Oferta Nacional
A produção nacional segue em expansão, com destaque para o pré-sal. A Petrobras projeta dobrar a produção até 2032, com acréscimo de 83 milhões de m³/dia, especialmente entre 2027 e 2028. Além disso, o Brasil ampliou sua capacidade de regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL), passando de 97 para 147 milhões de m³/dia até 2032.
Fontes alternativas também ganham espaço: o gás excedente do campo de Vaca Muerta, na Argentina, já é direcionado ao Brasil via Bolívia, utilizando o gasoduto Gasbol, com capacidade de até 33 milhões de m³/dia.
Infraestrutura e Distribuição
A malha de gasodutos está em expansão, com projetos que visam conectar regiões produtoras e consumidoras. Empresas como Comgás, Gás Natural Fenosa e Energias do Brasil investem em inovação e ampliação da rede. No entanto, desafios persistem: assimetrias regulatórias entre estados e gargalos logísticos ainda limitam a queda de preços e a competitividade.
Demanda e Segmentos Consumidores
Os setores industrial, termoelétrico, cerâmico, químico e papel e celulose lideram o consumo. Com a abertura do mercado e maior oferta, espera-se que o gás natural ganhe espaço também nos segmentos residencial, comercial e de transporte pesado, especialmente com o avanço do biometano.
Perspectivas Futuras
O Brasil vive um dilema: como investir em infraestrutura sem encarecer o gás. A resposta passa por políticas públicas integradas, incentivos à inovação e maior coordenação entre entes reguladores. A expectativa é que, com a continuidade das reformas e a entrada de novos players, o mercado se torne mais dinâmico, competitivo e sustentável.


